23 junho 2017

Resenha: Placebo Junkies - Piratas de Laboratório

Título: Placebo Junkies - Piratas de Laboratório
Autora: J. C. Carleson
Editora: Fábrica 231
Gênero: Ficção
Ano: 2016
Páginas: 304

Quando esse livro foi lançado, mesmo sem ao menos conhecer a sinopse do mesmo, fiquei louca por ele. Isso por causa do título e da edição, que remete ao mundo farmacêutico. É tão difícil algum livro que aborde alguma parte da minha profissão.

Este, além de abordar o procedimento dos testes de pesquisa para a introdução de novos medicamentos no mercado, ainda tem uma edição tão linda, toda inspirada nos medicamentos. 

Como não ia querer esse livro na estante? 

Mas de longe, é um livro voltado para os profissionais da área.

Placebo Junkies traz um enredo engraçado e triste, romântico e frio; e esses opostos me forneceu uma leitura surpreendente e muito agradável.

Você sabe de todo o processo que um medicamento precisa passar até poder ser vendido numa farmácia?

Se nunca parou para pensar em tudo isso, vou resumir: para que seja aprovado, a indústria farmacêutica que o lançou, necessita fazer testes (que podem durar anos), para comprovar a eficácia e a segurança do mesmo. Primeiro em animais de pequeno porte, depois nos de grande porte, em humanos saudáveis e finalmente nos doentes.

O que um humano saudável ganharia servindo de cobaia para um teste farmacológico? Dinheiro.

Audie é uma jovem que conhece muito bem o mundo das cobaias saudáveis. Afinal, é uma delas. 
"Você aprende a não se importar. Aprende a não se apegar. Tudo bem, então você também aprende a se esconder, a se esgueirar e a roubar, não estou fingindo ser a Gandhi com peitos, mas estou dizendo que, quando você se acostuma a que tomem as coisas de você, você aprende a superar isso e seguir em frente."
E como a maioria das cobaias, seu interesse em desempenhar tal papel, é exclusivamente o dinheiro. 

Audie tem um namorado que sofre um estágio muito avançado de câncer. Seu maior sonho é visitar a Patagônia, e a moça quer dar esse presente a ele. Assim, Audie, juntamente com sua amiga Charlotte, bola um plano maluco para “enganar” o sistema e conseguir faturar muito com a inscrição em vários testes simultaneamente.

Loucura? Sim. E ela sabe bem disso. Mas está disposta a tudo para conseguir essa grana.
"Então, sim, os efeitos colaterais podem ser ruins. Mas o dinheiro é bom, e as probabilidades de sobrevivência são muito melhores aqui do que de onde eu venho. Pense dessa forma: os pesquisadores e as empresas farmacêuticas tem todo interesse em mantê-lo saudável. Eles querem que você fique bem. Eles informarão se seus exames de sangue derem resultados estranhos, vão fazer curativos em seus ferimentos, alimentarão você se passa mais de uma ou duas horas em seus laboratórios - estou falando de coisas orgânicas, queijo feta, esse tipo de coisa. Eles não querem ninguém morrendo por sua causa, precisam que estejamos saudáveis. Eles nos querem vivos.
E isso, meus amigos, é muito mais do que qualquer outra pessoa jamais quis pra mim. Então, claro, essa vida pode me matar. Mas, na minha experiência, a vida real mata você ainda mais rápido."
Esse é basicamente o enredo da obra. Porém, preciso alertá-los que tem muitas surpresas que infelizmente não posso revelar.

Como disse de início, a temática em si me agradou por completo, e mesmo se você não é um admirador da área farmacêutica, com toda certeza vai se instigar com o tema.

Narrado em primeira pessoa, podemos conhecer mais a fundo a personalidade de Audie. Temos uma personagem que sofreu muito na vida e encara tudo isso de uma maneira nada dramática. Audie é confusão e sarcasmo.
"Flores são simplesmente muito biológicas, o jeito como murcham e secam e morrem. É a última coisa de que uma cobaia como eu precisa: novas evidências de mortalidade por toda a nossa volta. Livros, por outro lado, são o presente perfeito: pequenos pacotes meticulosos de fantasia e fuga. De pulp a Poe, amo todos eles."
Ela tem um blog onde escreve para pessoas que querem ser cobaias em testes. Somos contemplados com alguns posts. Simplesmente ri alto! É um humor negro daquele tipo que adoro.

A edição, vale falar mais uma vez, é linda! Toda inspirada no tema, com páginas amarelas e fonte ideal para leitura. Um capricho sem fim.

Leitura super recomendada.

Preciso dizer o quanto estou feliz em "voltar para casa". Cunhada linda, obrigada pelo convite, é um prazer estar aqui mais uma vez; e é lindo ver o quanto o blog cresceu e está ainda mais maravilhoso.

Culpados lindos, acho que estou um pouquinho melhor nessa coisa de resenhar do que na última vez que resenhei aqui para o blog. Espero que aprovem, estou muito empolgada! 

Beijos ♥

Resenha por: Bia Gonçalves

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