Resenha: Liberdade



Título: Liberdade | Autora: Andre Portes | Editora: Galera Record | Ano: 2018 | Páginas: 336

Liberdade é um livro divertido, com um enredo que apesar de ser adulto; me remeteu ao clássico animado Três Espiãs Demais

Narrado em primeira pessoa, a obra traz como protagonista a simpática americana Paige.

"Quando eu contar o que aconteceu... não surte."

Paige não é muito sociável. Não tem uma vida amorosa típica de romances. Ativista, contra qualquer tipo de sistema governamental; sua inteligência se destaca. E ainda luta como ninguém.

Ela domina artes marciais e como se não bastasse, é poliglota. Mas quase ninguém sabe desse feito. Aliás, qualquer pessoa normal que fosse julgar Paige por sua aparência e personalidade à primeira vista, a tomaria como louca sem noção.

Seus pais desapareceram. Paige não sabe se estão vivos ou mortos; o fato é que ambos, jornalistas, também eram ativistas. A luta a favor dos direitos humanos, os fizeram denunciar muitas pessoas ruins, ligadas até mesmo à ditadura, assim sendo, eram mira de muita gente. Nem mesmo as forças dos EUA obtiveram resposta sobre o paradeiro do casal.

Isso entristecia Paige. Mas engana-se quem pensa que ela é uma personagem dramática. Muito pelo contrário. Bem humorada ao extremo, Paige é o tipo de personagem que transforma qualquer cena em risos. 

Ela cai de paraquedas nas situações mais hilárias, e foi assim que acabou chamando atenção de uma agência ultrassecreta de espionagem. Lutando graciosamente contra dois grandalhões armados num restaurante, e levando melhor; Paige ganhou notoriedade, já que as câmeras de segurança registraram a tudo.

Sua missão seria resgatar ninguém mais ninguém menos que Sean Raynes, seu herói; na Rússia. E sua recompensa seria informações privilegiadas sobre o paradeiro de seus pais.

Dessa forma, viajamos com Paige para a tão maravilhosa Rússia. Se preparem, pois iremos nos deparar com mafiosos, lutas, tiroteios, romance, equipamentos ultramodernos de espionagem, e claro, muita diversão garantida pela protagonista.

O livro é hilário!! Paige é engraçada sem se esforçar para isso, sua personalidade foi bem traçada; por isso é fácil imaginar as situações que ela enfrenta, por mais bizarras que sejam. 

"Quando eu pensar em garota americana, penso em coelhinhas."

Me identifiquei muito, assim como eu, Paige não consegue lidar com romance; fica insegura em meio aos desconhecidos; ama ler; é feminista... Resumindo: ganhou meu total apreço.

"Tudo é descartável para você. Não tem coração. Nada. Apenas realizações. En fait, você é neurótica quanto a essas realizações. É tudo em que pensa. Você não consegue viver no momento. Não se permite. Está ocupada demais pensando no futuro. Tentando controlá-lo. Mas sabe, não há controle. Não há nada. Não existe passado. Não existe o futuro. Só existe o agora."

Temos outros personagens maravilhosos, mas não vou tratar sobre eles por aqui para não estragar o suspense.

Mesmo com uma pegada cômica, o suspense se faz presente. Desconfiamos de tudo e de todos. A narrativa em primeira pessoa funciona como se Paige estivesse nos contando detalhes de sua aventura passada.

O desfecho abre gancho pra uma continuação e isso me deixou mais empolgada ainda.

Edição fofa, o título faz todo sentido quando conhecemos detalhes do enredo

A mistura de espionagem e comédia obteve um resultado positivo, leitura recomendada!

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