Resenha: Heroínas


Título: Heroínas | Autoras: Laura Conrado; Pam Gonçalves & Ray Tavares | 
Editora: Galera Record | Ano: 2018 | Páginas: 256


"(...) ser amiga de uma mulher é apoiar em todas as situações, não só quando é fácil ou quando convém. É romper com o mito de competição feminina, é acabar com as inseguranças e com os estereótipos... Eu aprendi a escutar e a valorizar a fala da outra, ainda que, às vezes, seja uma fala diferente da minha; a voz de toda mulher deve ser respeitada. Sororidade é isso, né? É a gente se reconhecer uma na outra."

Temos muitas histórias inspiradoras para crianças e adolescentes, com lições valiosas para a vida toda. Fazendo um apanhado mental, das mais conhecidas, por mais que essas histórias sejam fantásticas e didáticas de certa forma, existe algo que simplesmente não cabe na atualidade: a falta de heroínas.

Tais histórias sempre trazem a figura feminina como alguém que precisa ser salva. Crescemos com o conceito de que "meninos são os grandes heróis aventureiros" e as meninas "as musas que esperam por um herói".

Com o intuito de mudar essa visão ultrapassada, as autoras Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares; no livro Heroínas, publicado pela Editora Galera Record, trazem três contos onde as grandes protagonistas, as grandes heroínas, são as meninas.

Os contos são releituras de grandes histórias já conhecidas, onde a figura masculina era predominante. Outro ponto interessante, é que as autoras trouxeram todo o conteúdo para a atualidade, se tornando uma leitura contemporânea, leve, divertida e acima de tudo, com uma mensagem de empoderamento muito presente.

"Uma por todas, todas por uma" de Laura Conrado, foi inspirado em "Os Três Mosqueteiros". Narrado em primeira pessoa, temos aqui uma adolescente apaixonada por animais. E para conseguir realizar seu grande sonho, de fazer parte da ONG Mosqueteiros, que tem o intuito de cuidar de animais; precisará lutar com todas as suas forças.

O conto nos passa uma verdadeira lição de sororidade, mostrando o quanto a união entre o sexo feminino é importante, ensinando ainda, que não precisamos de competição.

"Sempre vai ser uma por todas e todas por uma."

"Formandos da Távola Redonda", de Pam Gonçalves, fora inspirado em "Os Cavaleiros da Távola Redonda". O cenário aqui é a formatura do ensino médio. Uma escola pública, sem recursos, onde os alunos, para realizar o grande baile de formatura, precisariam arrecadar fundos o ano todo. Mas essa escola havia sido roubada, e no roubo se foi todas as economias do terceiro colegial. Uma aluna precisaria montar uma equipe para tentar juntar novamente esse dinheiro, há oito semanas para o baile. Seria possível?

Narrado em terceira pessoa, neste conto o ponto chave é a questão de que "podemos ser quem quisermos". Pam mostra uma protagonista que faz escolhas de acordo com o que sua família espera, e não por ela mesma. Ainda levanta questões sobre sexualidade.

"As pessoas sempre vão falar alguma coisa. É você que decide como vai ouvir."

"Robin, a Proscrita", de Ray Tavares, inspirado em "Robin Hood"; traz uma personagem inteligentíssima. Narrado em terceira pessoa, o conto traz uma personagem que passou por altos e baixos desde o seu nascimento. Fora abandonada ainda bebê e seus pais de criação morreram muito precocemente. Sua mãe, vítima de uma doença. Seu pai, assassinado. Uma realidade onde a religião era usada para tirar proveito dos fiéis. Políticos que arrecadavam fortunas com dinheiro do povo. Mas uma menina estava disposta a mudar tudo isso. E se o dinheiro dos mais sucedidos, tidos de forma ilegal, voltassem para os pobres?

O meu conto predileto, mostra a força de uma mulher com sede de justiça. Um conto empoderador, com valores grandiosos, que faz sonhar. Se tornou o meu predileto por ter um desenvolvimento maior a meu ver, e por abordar vários temas que geram debates, porém que geralmente, não estão presentes em histórias que trazem mulheres como protagonistas.

"(...) As mulheres agora não são mais mães e donas do lar, dedicadas às suas crianças, não... querem mexer no computador!"

O livro como um todo é perfeito. Uma grande lição da força feminina. O público-alvo são jovens a partir dos 16 anos.  

Recomendo a leitura, com toda certeza é um livro que deveria ser trabalhado em escolas e grupos de leituras.

A edição está um capricho! Exemplar daqueles que você quer guardar para sempre. 

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